Plantas belas, mas perigosas! - Instituto Prístino

Plantas belas, mas perigosas!

Várias espécies de plantas conseguem habitar locais “inóspitos”, como por exemplo os afloramentos de rochas carbonáticas. Nesses ambientes rochosos, onde o solo é muito raso e as vezes inexistente, é comum encontrarmos verdadeiros jardins, tamanha a diversidade de bromélias, orquídeas e cactos! Entretanto, estudar esses ecossistemas rupestres exige muito cuidado e equipamentos adequados para se evitar acidentes, principalmente quando for realizar pesquisas botânicas.

Os pesquisadores do Instituto Prístino desenvolvem estudos sobre as plantas em afloramentos carbonáticos na região norte de Minas Gerais. Para isso, durante os trabalhos de campo é fundamental o uso de botinas, calças resistentes, perneiras, camisas de manga comprida para se evitar o contato com algumas plantas, como os cactos. Se for manipular estas plantas, usar luvas. Entre os cactos mais abundantes, destacam-se os indivíduos do gênero Tacinga. Algumas espécies do gênero Melocactus possuem espinhos que facilmente conseguem atravessar os solados da maioria das botinas!

Muitos indivíduos do cacto Tacinga saxatilis (Ritter) N.P.Taylor & Stuppy.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Melocactus sp.

Alguns arbustos também muito frequentes nos afloramentos de rochas carbonáticas são os do gênero Cnidoscolus (Euphorbiaceae), cujo nome foi originado do grego: knide = urtiga, skolos = ponta. Essa é exatamente uma das principais características das espécies do gênero Cnidoscolus, ou seja, são plantas com a presença de muitos tricomas urticantes, uma estrutura que lembra um espinho, mas não é!

Essas plantas são popularmente conhecidas como “cansanção” ou “urtiga brava”. Nos afloramentos carbonáticos na região norte de Minas Gerais uma das espécies mais comuns de “cansanção” – e uma das mais perigosas – é Cnidoscolus urens (L.) Arthur. Interessante é que o nome da espécie diz muito sobre a sensação que temos ao encostar nessa planta: urens em latim quer dizer “que queima”. De fato, ao encostarmos nos tricomas, substâncias químicas penetram em nossa pele provocando dores localizadas muito fortes e, em raros casos, provocando desmaios. Por outro lado, as substâncias químicas produzidas por algumas espécies de Cnidoscolus estão sendo estudadas e podem exercer atividade antibiótica e anti-tumoral. Então, vamos protege-las todas…mas com muito cuidado!

 

         Arbusto do gênero Cnidoscolus (Euphorbiaceae).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia

Melo, A. L. D., & Sales, M. F. D. 2008. O gênero Cnidoscolus Pohl (Crotonoideae-Euphorbiaceae) no Estado de Pernambuco, Brasil. Acta Botanica Brasilica, 22: 806-827.

Araujo, M. M. L. 2018. Avaliação das atividades antibiótica e antiproliferativa tumoral das frações purificas da urtiga Cnidoscolus urens. Monografia, UFCG. Sumé – PB.