A qualidade do ar em tempos de pandemia - Instituto Prístino

A qualidade do ar em tempos de pandemia

Diante da gravidade da pandemia provocada pela virose denominada COVID-19, estamos vivendo algo sem precedentes na nossa história. No final de março, cerca de ⅓ da população mundial estava confinada em suas casas para evitar a disseminação do vírus. Com isso os deslocamentos de veículos que utilizam motor a combustão foram reduzidos, além da própria queda das atividades industriais. Outra ação provocada devido a pandemia é que algumas empresas e governos têm monitorado os deslocamentos de pessoas com o uso de dados de celular, como é o caso da Google. Em Minas Gerais temos os dados registrados entre 23 de fevereiro e 5 de abril de 2020 (Figura 1).

Figura 1 – Deslocamentos e permanência em locais do cotidiano em Minas Gerais, medidos de 23 de fevereiro até 5 de abril de 2020. A partir de uma linha de base, que dá os valores obtidos por médias ao longo do tempo em situação de normalidade, são medidos os novos comportamentos. Fonte: adaptado de https://www.gstatic.com/covid19/mobility/2020-04-05_BR_Mobility_Report_en.pdf . Acesso em 13-04-2020.

A consequência ambiental imediata desta diminuição da quantidade de veículos em circulação foi a redução de gases e poluentes lançados na atmosfera terrestre. Esse tipo de constatação pode ser feito com o uso de imagens de satélite gratuitas, como as disponíveis na NASA e na ESA. Algumas faixas do espectro eletromagnético conseguem captar a concentração de gases como monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, metano, entre outros.

Esse tipo de imagem é mais complexa de se trabalhar que imagens ópticas convencionais, devido ao formato dos dados e o volume de informações. Alguns resultados podem ser encontrados na internet e mostram como a qualidade do ar está melhorando com a redução da emissão de gases. Aqui colocamos alguns exemplos de imagens vinculadas na internet e suas respectivas fontes.  A Figura 2 mostra a variação da concentração destes gases na região de Belo Horizonte-MG.

Figura 2 – Concentração de dióxido de nitrogênio em Minas Gerais, com foco em Belo Horizonte. Fonte: Pesquisador Diego Hemkemeier Silva, gerente de informações ambientais e geoprocessamento e Fábio Castagna da Silva, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC).

Na província de Wuhan, China, local em que as medidas de fechamento e paralisação das atividades foram mais intensas, fica mais nítida a queda da concentração do NO2 na atmosfera. A Figura 3 mostra a diferença de concentração deste gás para os dois primeiros meses de 2020, sendo fevereiro o mês de confinamento e lockdown  decretado para conter a disseminação do novo coronavírus.

Figura 3 – Concentração de dióxido de nitrogênio para a província de Wuhan na China. A redução da concentração em um mês foi drástica e se relaciona a redução do trânsito de veículos e da atividade industrial. Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51699211 . Acesso: 10-04-2020.

A Figura 4 mostra a mesma região, na China, para o mesmo período no ano de 2019 e em 2020. Essa comparação é interessante pois mostra “retratos” da atmosfera na mesma época do ano em que as condições atmosféricas são similares, sendo a diferença dada pela redução da queima de combustíveis fósseis. Cabe destacar que é mostrado nessa imagem que, depois da celebração do ano novo Chinês (21 de janeiro de 2020)  há um crescimento na concentração de NO2, o que não ocorreu em 2020.

Figura 4 – Imagem para três diferentes períodos, sendo três imagens de 2019 e três de 2020 (quarentena coronavírus). Nesta imagem temos a concentração de dióxido de nitrogênio. Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51699211 Acesso: 10-04-2020.

Vale uma reflexão, neste momento. Quando a pandemia acabar, precisamos voltar aos níveis de emissão praticados anteriormente? Será que todo deslocamento que ocorre nas grandes cidades é realmente necessário? Fique em casa, pesquise e reflita sobre as consequências da redução de deslocamentos, principalmente com a redução de emissões de gases intensificadores do efeito estufa e prejudiciais para o meio ambiente.